MEDNAFRI do Cesmac realiza ações de promoção à saúde em comunidades quilombola de Alagoas
Projeto de extensão vinculado ao NAFRI-DH reforça a importância do trabalho humanizado para os estudantes de Medicina
19/11/2021 às 18h49
O MEDNAFRI, projeto de extensão da Faculdade de Medicina vinculado ao Núcleo Acadêmico Afro e Indígena e Direitos Humanos do Centro Universitário Cesmac, tem como principal objetivo promover a saúde e prevenir doenças nas comunidades carentes, focando, principalmente, no trabalho humanizado. Há três anos, sob a coordenação da Profa. Dra. Cristiane Monteiro da Cruz e colaboração da Profa. Ma. Ana Carolina Medeiros, são realizadas diferentes ações de saúde em diversas comunidades, como a Comunidade Quilombola Santa Luzia do Norte.
O projeto visa conscientizar os alunos do curso de Medicina sobre a importância de interagir com as comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas de Alagoas. “Um ponto muito importante é que estamos em Alagoas e temos uma carência muito grande quando no tocante às patologias negligenciadas, como esquistossomose, as verminoses, as parasitoses, por exemplo, que estão muito associadas a questões da falta de saneamento básico que aflige a nossa região”, ressaltou a coordenadora do MEDNAFRI.
Os professores e acadêmicos realizam um trabalho direcionado as especificidades de cada comunidade, através de um trabalho prévio e da realização de enquetes e de entrevistas com líderes locais. Com o mapeamento das necessidades, os alunos, cuja maioria está cursando o 3º período de Medicina, dividem-se em grupos para que as necessidades imediatas de cada pessoa sejam supridas. Dessa forma, os alunos aprendem a reconhecer sinais de diferentes doenças em cada paciente.
O projeto atua no desenvolvimento de conhecimentos e habilidades, ensino e pesquisa para os alunos, a partir das necessidades das comunidades. Além disso, aproxima a academia da realidade encontrada nas comunidades. “Nós estamos dizendo pra essa comunidade que ela não está sendo negligenciada, nem segregada, mas que nós estamos ali abraçando sua causa, como fazemos com a Comunidade Santa Luzia do Norte”, reforçou a Profa. Dra. Cristiane Monteiro da Cruz.
Comunidade Quilombola Santa Luzia do Norte
A Comunidade Quilombola homônima ao município Santa Luzia do Norte (AL) onde está localizada é um dos locais atendidos pelo MEDNAFRI. Com a alta incidência de esquistossomose, a Comunidade tem grande necessidade de assistência médica, por esse motivo, o projeto adotou o local e realiza atividades mensais na comunidade para viabilizar as discussões sobre saúde.
São realizadas atividades para toda a família, desde a apresentação de pôsteres explicativos à realização de atividades lúdicas, como pintura, teatro e brincadeiras infantis, com o objetivo de explicar como as doenças se desenvolvem e apresentar formas de minimizar os riscos de seu desenvolvimento. Desde 2018, foram realizadas diferentes ações, como testes para avaliar a incidência de câncer de colo do útero, análise da qualidade da água e, no momento, serviços de prevenção à esquistossomose e à COVID-19, principalmente com informações referentes à vacinação.
Referente à pandemia, além da apresentação de pôsteres informativos sobre a COVID-19 e de diálogos lúdicos sobre a doença, o projeto ainda arrecadou alimentos e fez doações para que a Comunidade Santa Luzia do Norte tivesse suas necessidades básicas atendidas.
Consciência Negra
Vinculado ao Núcleo Acadêmico Afro e Indígena e Direitos Humanos do CESMAC, sob orientação do Prof. Dr. Jorge Vieira, o MEDNAFRI compreende a importância do trabalho que realiza dentro das comunidades indígenas e quilombolas de Alagoas. No tocante ao próximo dia 20 de novembro, instituído como Dia da Consciência Negra, a coordenadora do projeto, Profa. Dra. Cristiane Monteiro da Cruz, ressaltou a importância dessas comunidades terem a medicina para trazer um direcionamento, inclusive no tocante ao racismo.
“O racismo no Brasil pode ser velado em algumas áreas, mas para as comunidades ele é muito claro, forte e incisivo. Então, ter alunos da medicina que vão a campo para poder ensinar, trabalhar e desenvolver humanização é a maior contribuição que nós podemos fazer para o desenvolvimento da sociedade”, ressaltou a professora.
O aprendizado proporcionado pelo projeto não beneficia apenas as comunidades, mas também a todos os integrantes do MEDNAFRI. “quando eu treino um aluno de medicina, quando dou a ele a oportunidade de estar nessa comunidade, eu estou fazendo uma via de mão dupla, quando vamos a uma comunidade nós aprendemos muito mais do que ensinamos, porque a experiência que existe naquele local é fantástica”, disse a coordenadora.
E finalizou dizendo que “gostaria que nesse ano de 2021, que nós estamos refletindo sobre a questão da conscientização da consciência negra, nos perguntássemos: o que eu estou fazendo para mudar o mundo? Nós da Medicina estamos contribuindo diretamente com um projeto de extensão que está presente na comunidade. Eu estou lá e meu alunos também, o que eu faço, eles fazem também. E pra mim essa é a maior vitória”.