O Arquivo Público de Alagoas (APA) recebeu o Vice-Reitor do Cesmac, Prof. Dr. Douglas Apratto Tenório, na tarde de ontem , para participar do Projeto Chá da Memória. O tema da palestra foi: Enforcamento de Calabar e sua presença em Alagoas. A superintendente do APA, Wilma Nóbrega Lima, deu as boas-vindas ao palestrante e aos presentes e informou que na mesma tarde estavam inaugurando o primeiro Laboratório de restauração de livros e documentos antigos de Alagoas.
O evento chamado "Chá da Memória", possibilita uma relação mais direta com a comunidade alagoana. O intuito desta ação é viabilizar que o espaço, os documentos, as informações possam ser vistas, pesquisadas e mais conhecidas por todos.
A população precisa ter uma ampla visão do processo histórico de construção de identidade e memória coletiva do Estado e o principal órgão responsável pela guarda, conservação e disseminação da história administrativa de Alagoas é o Arquivo Público, que tem a a missão de fomentar a pesquisa e estimular o encontro de estudantes e profissionais. Para isso, assume uma postura acolhedora ao abrir as portas para atividades que estimulem o uso do seu acervo como forma de reconhecimento à diversidade cultural existente.
Em sua palestra , Professor Dr. Douglas Apratto Tenório, disse que "Calabar é o mito nativo, considerado pelos portugueses como traidor. A gente questiona isso. É o mito nativo em contraposição ao mito europeu. Enquanto a história realça a figura do Conde Maurício de Nassau como um príncipe de padrões europeus, demoniza o mito nativo, que por acaso é alagoano. Calabar foi uma pessoa que mudou o curso da guerra, tinha uma visão estratégica forte, tinha coragem e conhecimento da região. Contrapomos os dois mitos símbolos desta guerra".
"Domingos Fernando Calabar, de feições duras, feio, mestiça, meio negro, meio índio, sem eira nem beira, representante da plebe ignara, com o infame labéu de traidor. O cidadão deve estudar suas raízes, pesquisar nossa formação, a história de seu povo, conhecer seu Estado, suas regiões, e se possível conhecer também o exterior e até reconhecer suas excelências, mas deve sempre considerar que o rio mais belo é o riacho que corre em sua cidade natal".
Calabar emerge como figura polêmica: traidor ou herói? Tendo a compartilhar a opinião de Lêdo Ivo, Chico Buarque, Rui Guerra, dentre tantos outros. Para mim ele foi um mestiço de Porto Calvo que mudou o curso da guerra , holandeses reconheceram o seu valor. É importante saber sua atuação, sua contribuição na identidade brasileira, ressaltou Professor Douglas Apratto Tenório.
Perguntado sobre o porquê o alagoano não valoriza sua história, o palestrante respondeu que a cidadania é construída na escola, desde o início, ainda na infância. No momento que se tem uma educação de qualidade, essa visão dá conhecimento e gera o sentimento de pertencimento.
O Secretário de Comunicação do Estado, Ênio Lins, o Chefe do Gabinete Civil, Dr. Fábio Lopes de Farias, a Promotora de Justiça, Dr.ª Faílde Mendonça, a Secretária de Cultura, representada por Dr.ª Roseane Rodrigues, o Presidente da Fapeal, Dr. Fábio Guedes, o historiador Dr. Zezito Viana, Conselheiro José de Melo, o Reitor do Cesmac, Dr. João Sampaio Filho, entre outras personalidades da cultura de Alagoas, estiveram presentes prestigiando o evento.